domingo, 18 de dezembro de 2022

"O Natal em Ossela"

DIRETO > RECRIAÇÃO DO CONTO 'O NATAL EM OSSELA'

Esta noite o Centro de Estudos Ferreira de Castro recria o conto de Ferreira de Castro 'O Natal em Ossela'. Nesta recriação é proporcionado um jantar recriado na  Casa-Museu Ferreira de Castro.

Carlos Castro, presidente do Centro de Estudos Ferreira de Castro

Cristiana Oliveira, membro do Centro de Estudos Ferreira de Castro 

Leia mais na edição de terça-feira

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

as aVes Voam

As aves voam, voam e voam.

    Batem as asas ou planam. 

        Sozinhas ou em bandos. 

            Voam sem destino, mas com direção. 

                Voam como se estivessem seguras de quem são e para onde vão. 

                    Voam ao sabor do vento, do sol e da chuva. 

                        Voam na perfeita sintonia da Natureza.

                            As aves voam como se o instante fosse eterno.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

permanecer na impermanência

Permanecer na impermanência é o dualismo que nos permite passar pelos vários estados da vida. Deambular pelo que é e pelo que não é. Aceitar os diferentes estados e integrá-los no Todo. Permitirmo-nos a ser e a não ser; a estar e a não estar. A morte também é parte disso, transformando a matéria em imatéria. Nada é estático. Tudo é mutante. O estático é rígido e parte-se. O mutante é flexível e molda-se. Viver e morrer são dois estados consecutivos que se renovam entre si, mas não nos esqueçamos das pequenas mortes nos entretantos que também nos fazem renascer.


Reflexão inspirada nas palavras da Doula Rita Lança: https://www.demyurga.com/.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Equilibrismo(s) de Sísifo(s)

Um dos segredos da vida passa por equilibrar as suas dualidades. Equilíbrio de Sísifo e trabalho de xilografia que poucos conseguem, mas que poucos realmente tentam (mesmo acercados pela nossa humilde condição humana e terrena). Aceitemos e dancemos a vida! Desfrutemos dos dias de céu limpo e nublado. Olhemos de frente o sol como olhamos a lua. Tudo é necessário para dar vida à vida e para que cada um/uma de nós possa dar a devida voz ao que sente e discerne com amor e consciência. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Nós somos outono!

O outono é uma natureza fragmentária. A árvore não morre inteira. Vão caindo folhas, ramos, uns atrás dos outros, nos seus devidos tempos e espaços. Abandonam-se no chão, tecendo um manto de natureza morta sobre a natureza viva. A gradação das cores vivas para as mortas testemunham a passagem da vida para a morte. Transmite processos naturais de decomposição e todos eles têm a sua Beleza: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." (José Saramago). Um dia também vamo-nos tornar húmus lamacento e pegajoso sobre a erva verde e molhada. A vida renova-se através da morte e essa deveria ser a nossa esperança.



quarta-feira, 21 de setembro de 2022

breve devaneio da não-palavra

A falta de palavras também nos faz escrever e dizer que não há palavras que possam ser faladas ou escritas. A falta de palavras também contém palavras...

quarta-feira, 6 de julho de 2022

a nova (dis)funcionalidade do Whatsapp

Perante tantas atualizações de melhoramento dos sistemas e das apps, nunca pensei ficar intrigada com tal tema, numa terça-feira à tarde, ao ponto de questionar, filosoficamente, a forma inorgânica como comunicamos ou como querem que comuniquemos. Eu sabia que a minha estupefação seria inútil, mas foi a mesma que transmitiu o meu pensamento a duas pessoas aleatórias. Ambas concordaram comigo (forçosamente ou não) e pouco mais disseram. Contudo, permaneci desassossegada, porque percebi a profunda disfuncionalidade que a nova funcionalidade do WhatsApp nos trará a longo prazo e ninguém repara. Agora, em vez de escrevermos uma resposta com letras ou imagens, podemos apenas reagir sobre a mensagem recebida com seis emojis (seis emojis!?). Até posso entender o lado prático de quem usa redes sociais diariamente e em simultâneo, mas paremos um pouco. Paremos para pensar. Para onde caminhamos? Para a imaterialidade? Para um chão sem chão; para a ausência das palavras; para o alzheimer coletivo. A redução dos caracteres, a obsessão pelo scroll, a fugacidade dos stories e o vício do binge-watching tornam-nos reféns de uma posição passiva e de uma comunicação pobre. O amorfismo da distração e do facilitismo exercem uma leve lobotomia e comprometem o livre-arbítrio. Tristemente, acredito que daqui a uns largos anos já não se escreva nem leia livros. Oxalá que algumas obras perdurem e que uma delas seja o Ensaio sobre a cegueira de José Saramago. Assim, as gerações vindouras irão perceber o seu presente através do nosso passado.

Centenário de José Saramago