domingo, 1 de novembro de 2026

Quim

Eterno és,
eterno serás.

Meu Pai foste,
meu Pai serás.

Ensinaste-me os contornos da felicidade,
quando batíamos com as mãos,
mais rápido e rápido,
e por fim, sorríamos.

Ensinaste-me a brincar,
ainda eu não sabia o que era aprender.

Já não me lembro da tua voz...
Sabes o quanto isso dói?

Lembro-me, sim, da entrevista que te fiz.
A simplicidade com que respondias.

Levaste uma vida humilde, pois só querias amar. 
Amar os teus.

Quim,
nenhum poema chegará aos teus pés,
pois levaste as melhores palavras contigo;
essas já não as posso usar,
só as palavras do lamento luzente de te ter conhecido.

sábado, 31 de outubro de 2026

SOLidão

"A minha solidão é um lugar ardente."
Diogo Divagações, Sequência - só (2026) 


Há algo de profundamente solar na SOLidão. O feixe de luz do seu prefixo ilumina vogais e consoantes que traçam, por sua vez, órbitas literárias infinitas. As voltas ao Mundo de Júlio Verne e Ferreira de Castro inspiraram-se no excesso das viagens e multidões, mas exigiram vagar e silêncio para a sua escrita — processo criativo de (auto)análise, no qual o Eu se redefine perante um Outro plural. A folha em branco, deserto intelectual onde a sarça ardente aguarda o seu momento de revelação, converte-se assim num lugar metafísico de criação iminente.

Como fogo que arde sem se ver, a SOLidão traduz-se num manifesto para o Amor e para a Liberdade face ao vazio existencial; uma circunstância ou uma sequência – só que, ao ser inteiramente preenchida pela nossa essência, torna-se no eclipse vital para redescobrir as fases lunares da Humanidade.

 

Este texto foi escrito para o lançamento de Sequência - só de Diogo Divagações, na Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, a 30 de outubro de 2026, às 21h30.




quinta-feira, 29 de outubro de 2026

premissas celestiais

[...] as melhores estrelas do céu efetuam 
idílicas reuniões em noites como esta. 
Ferreira de Castro

Duas estrelas colidiram e só lhes resta domesticar o brilho.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

desconexão

Palavras desgovernadas
embatem contra um muro silente. 

O mistério só é belo,
quando é poético.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

o cancelamento da Poesia

Apetecia-me tanto não comer poesia hoje.
Raquel Rubus 

Porque me fizeste amar os frutos poéticos, se agora não os posso beber?

sábado, 17 de outubro de 2026

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Breve nota sobre "Emigrantes" de Ferreira de Castro

Emigrantes de Ferreira de Castro é, para mim, o livro mais marcante da literatura portuguesa. Primeiro pelo seu fôlego literário que renovou o romance português do século XX; e segundo pela sua estrondosa atualidade que o transporta para o nosso século, como se fosse a primeira vez, depois de quase 100 anos de vida. Emigrantes é um romance “eviterno”, e sempre o será, pois o drama humano contido nas suas 242 páginas não é só do protagonista Manuel da Bouça e da sua família; é de todos, e foi também, e principalmente, de quem o “escreviveu”, neste caso, Ferreira de Castro.