eterno serás.
meu Pai serás.
Ensinaste-me os contornos da felicidade,
"(é sempre tão longo caminho um fragmento)," Tolentino Mendonça
Há algo de profundamente solar na SOLidão. O feixe de luz do seu prefixo ilumina vogais e consoantes que traçam, por sua vez, órbitas literárias infinitas. As voltas ao Mundo de Júlio Verne e Ferreira de Castro inspiraram-se no excesso das viagens e multidões, mas exigiram vagar e silêncio para a sua escrita — processo criativo de (auto)análise, no qual o Eu se redefine perante um Outro plural. A folha em branco, deserto intelectual onde a sarça ardente aguarda o seu momento de revelação, converte-se assim num lugar metafísico de criação iminente.
Como fogo que arde sem se ver, a SOLidão traduz-se num manifesto para o Amor e para a Liberdade face ao vazio existencial; uma circunstância ou uma sequência – só que, ao ser inteiramente preenchida pela nossa essência, torna-se no eclipse vital para redescobrir as fases lunares da Humanidade.
Este texto foi escrito para o lançamento de Sequência - só de Diogo Divagações, na Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, a 30 de outubro de 2026, às 21h30.
Duas estrelas colidiram e só lhes resta domesticar o brilho.
Porque me fizeste amar os frutos poéticos, se agora não os posso beber?
Emigrantes de Ferreira de Castro é, para mim, o livro mais marcante da literatura portuguesa. Primeiro pelo seu fôlego literário que renovou o romance português do século XX; e segundo pela sua estrondosa atualidade que o transporta para o nosso século, como se fosse a primeira vez, depois de quase 100 anos de vida. Emigrantes é um romance “eviterno”, e sempre o será, pois o drama humano contido nas suas 242 páginas não é só do protagonista Manuel da Bouça e da sua família; é de todos, e foi também, e principalmente, de quem o “escreviveu”, neste caso, Ferreira de Castro.