sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

coração (a) nado (e) morto

Ecoam palavras soltas e descomprometidas:
"nós não..."

Constatação rápida e segura
que magoa e apequena,
principalmente quando,
d o c e m e n t e,
confesso que te amo.

Amar-te,
pronominal em quedra livre,
estilhaçado sobre a superfície gélida de uma mesa de café.

O silêncio da apatia 
retumba, brutaliza e extingue:
nem sequer brisa chego a ser.

domingo, 11 de janeiro de 2026

sol arrependido

Devanear é um vício de fundo voluptuoso como todos os outros, 
mesmo quando evocamos os desesperos passados 
ou imaginamos masoquisticamente os futuros.
Ferreira de Castro


As manhãs de inverno, em especial as de domingo, abrigam os céus do arrependimento. A debilidade do sol e a insistência das nuvens, fazem-nos depreender que também o sol se arrepende e se esconde por detrás da penumbra, prestes a esvair-se em lágrimas de neve.

domingo, 16 de novembro de 2025

"planta-poema"

Por vezes o "mero beijo" instiga o imanar profundo do olhar. O ultrapassar os limites aquosos que os olhos semicerrados difundem, quando o brilho emanado nos estimula o ritmo cardíaco.



Dias de tempestade:
manhãs de fotossíntese relampejada,
tardes de rega saraivada,
noites de descanso ventoso.

Dias de assistolia:
condições favoráveis
para o nascimento das camélias
que irei segurar no dia do meu casamento.