Existem momentos de (re)conexão com a vida exterior que abrem alas para a luz da clarividência interior. Esses momentos sentidos, apreendidos e aprofundados no corpo e na alma funcionam como motor de busca, transformando o simples facto de estar sentada na relva a ver o pôr-do-sol (aqui e agora), o suficiente para perceber a ínfima felicidade e apaziguamento que sinto. A terra abraça-me carinhosamente e sussurra-me suspiros de brisa. Sei que futuras intempéries virão e que tudo é efémero, mas, enquanto eu durar, irei ser a heroína da minha ventura.
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
domingo, 2 de maio de 2021
O Povo!
Porque não relembrar o povo? O povo que trabalha, que paga os impostos e que sobrevive na "nação valente, imortal". De segunda a sexta ou 24/7, lá vai o povo para a labuta! Resignado a um quotidiano repetitivo e fatal, de semblante pesado e infeliz, lá vai o povo para a labuta! Lá vai... Não tem outra escolha. E mesmo, se tivesse, não seria para o povo. Seria para a elite, que vive na sua confortável bolha onírica, enquanto que o povo é obrigado a sujar-se na lama, sem, muitas vezes, ter água para se limpar. Porque não um pouco de humildade, de reconhecimento e de dignidade? Não faria mal a ninguém. No final do dia, somos todos humanos que precisamos de dormir, sem sabermos se iremos acordar na manhã seguinte.
domingo, 25 de abril de 2021
humilde tributo saudosista
Estar só é estar com pensamentos. É olhar para eles como quem observa o Marão de frente, no infinito das suas sombras, que se esfumam em eufemismos sagrados. Espectros efémeros que deslumbram os sentidos e turvam a providência. Chama filosofal que inflama os laivos da existência, restando apenas a alma e a saudade.
quarta-feira, 21 de abril de 2021
arautos da planície
O Alentejo é uma planície ao pôr-do-sol. O seu corpo sensual pousa levemente nas oliveiras, como uma pena de mel. Os ventos abanam os seus ramos e, com eles, dançam um slow na vacuidade da existência. Dançam, sorriem e brincam. Escondem-se num jogo carnavalesco e desigual. Escondem-se sempre. São velozes demais para serem apanhados. Como se corressem atrás da felicidade que, também, se esconde e nunca se descobre. Mascara-se nas entrelinhas da vida e nas intermitências da morte. Transmuta-se em raios de luz efémera que nos cegam e nos deixam desamparados nos fossos perenes do nosso âmago.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
um devaneio pela manhã nem sabe o bem que lhe faria
De que me vale possuir pensamentos, se nunca os vou ver nem tocar? A génese da sua imaterialidade torna-os fugazes e incorpóreos. É como se não existissem, e se não existem, para quê dar-lhes vida? Uma vida artificial, representada pelo filtro da mente. Uma deturpação da realidade objetiva e vigente. Uma ilusão criada e vivida por quem os cria, os pensa e os sente. Uma desilusão sofrida. Um nada e um tudo que será apenas e somente para o emissor. O peso da individualidade carece de leveza e, para isso, a mente necessita de se tornar amorfa. O olhar só tem de ver aquilo que está à sua frente e conjugar o modo verbal presente, sem observações nem contemplações, muito menos, interpretações. Tudo isso é erróneo. Tudo isso é falacioso e pertence a um mundo onírico e irreal. Um outro mundo, onde ninguém vive.
terça-feira, 23 de março de 2021
inflexões simples e diurnas
Quem somos nós e em que mundo nos regemos? No inteligível? No sensível?
Quantas pessoas coabitam dentro de nós? Serão elas estrangeiras e desconhecidas ou almas gémeas? Será que se amam ou se odeiam? Serão todas elas verdadeiras? Ou meros caprichos do nosso ego? Serão ilusões criadas por nós para agradar os outros? Serão elas motivos de validação perante os outros?
O que são os outros? Quem somos nós perante os outros e sem os outros?
O que vale como verdade? E se a verdade existe, que tipo de verdade prevalece? A individual ou a universal? E será a mentira descendente da verdade?
Quem somos nós afinal? Onde nos posicionamos exterior- e interiormente no universo?
(palavras soltas)