domingo, 7 de novembro de 2021

O Tejo

    A grandeza do Tejo salpica aos olhos de quem a contempla. As correntes arrastam memórias para a frente e para trás. Lavam passados, vazam presentes e enchem futuros. No inverno, águas turvas e barrentas que encobrem lendas e mistérios. 

    O Tejo... Um rio que já passou por tanto. Outrora um "jardim de peixe". Agora um sobrevivente da poluição desenfreada. Contudo, ainda persiste e não desiste de quem o abraça.

    Tejo, eu sei que quem te aprecia, possui uma bondade infinita. Quem te olha de frente, não tem medo de enfrentar mares encrespados e tempestuosos. Quem te ama, só em ti e por ti vive.

    Tejo, espero que me ouças e que saibas que em ti me quero perder e encontrar. Tu tens todos os sonhos, todas as aventuras, todas as epopeias.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

think in Portuguese, write in English

    Embracing our roots is vital, especially when going abroad. The self-discernment of who you are and where you come from makes it a better journey. You'll be more conscious about your direction, by tracing more outlined decisions. You'll have the track of your train. Eventually, you can get derailed (don't worry, it's normal), but if that happens, you'll be able to stand for yourself, because you've followed a path of truth and respect.

    I'm telling you that because there are times you have to make big decisions, life-changing ones. And, once your country becomes too small for them, maybe you have to go abroad. Maybe you have to jump into the unknown and take a leap in the dark. By that time, you'll only have yourself and your shadow to lean on.  That's ok. Those circumstances require loneliness, so you can grab the infinite of yourself and give your best version to the world. 

    With all my best feelings and words, don't ever stop trying. It's worth the ride.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Alves Redol - breve mote (do que vai ser)

Homem humilde, de palavras sérias, sinceras e profundas. Rumo ao progresso comum - "um por todos e todos por um". O seu tom de voz tranquiliza-me. A sua extrema sensibilidade emociona-me. A sua narrativa humana arrepia-me. 

"Paz, trabalho e amor!"

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Ataque de Arte

Expôr qualquer tipo de Arte é trazer espectros interiores dos escombros à tona, até que sucumbam ao escárnio do ridículo. É arrancar o coração e, de mãos ensanguentadas, mostrar ao Mundo veias, ventrículos, artérias, aortas. É inspirar todo o ar puro e expirar gritos de desespero. É despertar para o tumulto da vida e, depois, perecer num sono profundo. É um ato de sobrevivência ou de demência, acompanhado de uma sonata de coragem. É e sempre será tudo ou nada, porque toda a Arte, tal como a vida, tem um princípio, meio e fim.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

(re)conexão

Existem momentos de (re)conexão com a vida exterior que abrem alas para a luz da clarividência interior. Esses momentos sentidos, apreendidos e aprofundados no corpo e na alma funcionam como motor de busca, transformando o simples facto de estar sentada na relva a ver o pôr-do-sol (aqui e agora), o suficiente para perceber a ínfima felicidade e apaziguamento que sinto. A terra abraça-me carinhosamente e sussurra-me suspiros de brisa. Sei que futuras intempéries virão e que tudo é efémero, mas, enquanto eu durar, irei ser a heroína da minha ventura.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

cegueira perpétua

Tu foste um sonho ténue que trespassou a minha bruma densa, lodosa, pesada, poeirenta, cósmica... repleta de versos que salivam estrofes cantadas em castelos de areia. A brisa do mar ainda perfuma as flores murchas daquele ramo que me deste. Lembras? A lua ia alta e as palavras mudas desnudavam e acariciavam os nossos corpos inocentes. Quando o dia raiou, num solavanco impiedoso, o sol cegou os meus olhos e os teus. Nunca mais nos vimos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

o desencontro

Hoje, à porta do cinema, esperei por ti. Esperei por ti, por nós e pelo filme. O filme chegou. Chegou a tempo e horas. Aliás, estreou! Ao contrário de ti ou de nós. Tu não chegaste nem a tempo nem a horas. Nem por nós, nem pelo filme. Simplesmente não chegaste. E nunca vais chegar. 

Como poderia eu sequer imaginar que ainda poderias chegar? 

O intervalo entre o tempo de partida e chegada é deveras o mais longo e delirante de sempre. Chama-se tempo de espera. Um espaço, onde os clichês bailam à flor da pele e, por momentos, fizeram-me acreditar que se chegasses naquele preciso momento, mesmo um segundo antes da sessão começar, serias o homem da minha vida.