O Alentejo é uma planície ao pôr-do-sol. O seu corpo sensual pousa levemente nas oliveiras, como uma pena de mel. Os ventos abanam os seus ramos e, com eles, dançam um slow na vacuidade da existência. Dançam, sorriem e brincam. Escondem-se num jogo carnavalesco e desigual. Escondem-se sempre. São velozes demais para serem apanhados. Como se corressem atrás da felicidade que, também, se esconde e nunca se descobre. Mascara-se nas entrelinhas da vida e nas intermitências da morte. Transmuta-se em raios de luz efémera que nos cegam e nos deixam desamparados nos fossos perenes do nosso âmago.
quarta-feira, 21 de abril de 2021
quinta-feira, 15 de abril de 2021
um devaneio pela manhã nem sabe o bem que lhe faria
De que me vale possuir pensamentos, se nunca os vou ver nem tocar? A génese da sua imaterialidade torna-os fugazes e incorpóreos. É como se não existissem, e se não existem, para quê dar-lhes vida? Uma vida artificial, representada pelo filtro da mente. Uma deturpação da realidade objetiva e vigente. Uma ilusão criada e vivida por quem os cria, os pensa e os sente. Uma desilusão sofrida. Um nada e um tudo que será apenas e somente para o emissor. O peso da individualidade carece de leveza e, para isso, a mente necessita de se tornar amorfa. O olhar só tem de ver aquilo que está à sua frente e conjugar o modo verbal presente, sem observações nem contemplações, muito menos, interpretações. Tudo isso é erróneo. Tudo isso é falacioso e pertence a um mundo onírico e irreal. Um outro mundo, onde ninguém vive.
domingo, 11 de abril de 2021
terça-feira, 23 de março de 2021
inflexões simples e diurnas
Quem somos nós e em que mundo nos regemos? No inteligível? No sensível?
Quantas pessoas coabitam dentro de nós? Serão elas estrangeiras e desconhecidas ou almas gémeas? Será que se amam ou se odeiam? Serão todas elas verdadeiras? Ou meros caprichos do nosso ego? Serão ilusões criadas por nós para agradar os outros? Serão elas motivos de validação perante os outros?
O que são os outros? Quem somos nós perante os outros e sem os outros?
O que vale como verdade? E se a verdade existe, que tipo de verdade prevalece? A individual ou a universal? E será a mentira descendente da verdade?
Quem somos nós afinal? Onde nos posicionamos exterior- e interiormente no universo?
(palavras soltas)
segunda-feira, 15 de março de 2021
trajetos (des)encontrados
E assim vai a vida vida...
Seguimos em frente,
Voltamos atrás,
Viramos à direita ou à esquerda,
Paramos no STOP.
Entramos em contramão ou em sentidos proibidos,
Estacionamos em ruas sem saída.
Não sabemos direcções nem destinos finais.
Cometemos infrações,
Somos julgados,
Porém seguimos.
Não temos mapas,
Só intuições efémeras que nos guiam por atalhos, trilhos ou avenidas.
Oh! Como eu gosto das avenidas de passeios longos, largos e floridos...
De gentes de vários nomes e alcunhas,
Cujas caras sorriem simplesmente.
Oh! Como eu gosto de sorrisos sem interesses...
Sinceros e belos.
Como eu. Como tu. Como nós.